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Com tema “Você não está sozinho(a)” entidade sindical alerta população, pelo segundo ano consecutivo, sobre os sinais, os canais de ajuda e como amigos e familiares podem ajudar a pessoa que precisa de amparo.

Nove em cada dez mortes por suicídio podem ser evitadas. O dado, divulgado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), pode até chocar, mas ele indica que a prevenção é fundamental para reverter essa situação. Atenta a isso e com o intuito de esclarecer, conscientizar, estimular o diálogo e abrir espaço para tirar o assunto da invisibilidade, a Fenajud promove pelo segundo ano consecutivo a campanha Setembro Amarelo. O material será disponibilizado em todo país, em parceria com os sindicatos filiados. Este ano o slogan é “Você não está sozinho(a)”, para lembrar que há sempre uma saída e alguém disposto a ajudar.

Durante todo mês, sempre às segundas-feiras, a Federação vai disponibilizar informações, em suas redes sociais e de sua base filiada, com uma linguagem direta e objetiva. O intuito da entidade é levar conhecimento sobre o tema a todas as regiões do país e, assim, facilitar o entendimento da população quanto ao problema que atinge milhares e milhares de pessoas em todo país e no mundo: o suicídio.

O tema é complexo e delicado. Muitas pessoas afirmam não saber lidar com essa situação e perguntam: como buscar ajuda se muitas vezes a pessoa sequer sabe que pode receber apoio e que o que ela sente naquele momento é mais comum do que se divulga? Ao mesmo tempo, como é possível oferecer ajuda a um amigo ou familiar se também não sabemos identificar os sinais e, muito menos, temos familiaridade com a abordagem mais adequada? Para essas e outras perguntas, a Fenajud ouviu duas especialistas no assunto, a Professora Gicileide Ferreira – Mestre em Psicologia, Psicanalista e Psicopedagoga e a Doutora Caroline Cabral – Psicóloga.

De forma direta a psicóloga Gicileide aponta que “A primeira medida preventiva é a educação. É preciso perder o medo de se falar sobre o assunto. O caminho é quebrar tabus e compartilhar informações. Os dados comprovam isso: cerca de 30 pessoas se suicidam diariamente no Brasil. No mundo, ocorre uma morte a cada 40 segundos. Até 2020 mais de 1 milhão de pessoas poderão tirar a própria vida. Precisamos mostrar as pessoas que estão vivenciando isso que elas podem encontrar apoio e precisam procurar ajuda para sair dessa situação”.

É fato que o suicídio é um fenômeno complexo, de múltiplas determinações, mas saber reconhecer os sinais de alerta pode ser o primeiro e mais importante passo. Diante disso, a doutora Caroline aponta, “Muitas vezes as pessoas que estão pensando em cometer suicídio, emitem sinais verbais e não verbais. Podem falar frases como: “Não aguento mais esta vida”, “queria estar morto”, “ninguém vai sentir minha falta”, “nada deu certo na minha vida”, etc, utilizam

no seu discurso o tema morte. Além disso, os sentimentos comuns são: tristeza, desespero, falta de esperança, desamparo”.

A Dra. Gicileide concorda e complementa que “As pessoas com pensamento suicida frequentemente dão sinais de suas intenções, que não devem ser ignorados; devem ser vistos como um pedido de socorro, vale lembrar que, em um primeiro momento, não existe a ideia de se matar, mas sim um pensamento negativo que a morte seria a melhor coisa no momento para aliviar o sofrimento”.

Como identificar os sinais

Muitos de nós temos dúvidas do que fazer quando identificamos que uma pessoa próxima pretende tirar a própria vida. Quanto a isso, a Doutora Caroline explica que o primeiro passo é ouvir a pessoa com empatia. “É necessário escutarmos com abertura e sem julgamentos. Na maioria das vezes, o que a pessoa realmente deseja é acabar com o seu sofrimento. Cuidar para não impor opiniões próprias. Depois da escuta, tentar encontrar outras saídas, mostrar-se realmente interessado. Buscar ajuda de um profissional da saúde e não deixar a pessoa sozinha são algumas dicas”.

Ela ressalta ainda que “algo importante que não podemos esquecer: isso pode acontecer com qualquer pessoa. Porque não há uma causa específica. Existem algumas comorbidades que tem uma propensão, transtorno bipolar, transtorno de ansiedade, pessoas que tem muita impulsividade. Mas, também pode acontecer uma depressão por fatores ambientais, perdas bruscas. Então, é algo que ninguém está livre”.

“Compreender a depressão é um grande desfio, às vezes, as pessoas que não conhecem o transtorno fazem julgamento errado distorcendo os comportamentos apresentados. Não se deve falar frases como: “Ele está com frescura, com preguiça, que está querendo chamar atenção, evitar frases clichês e comentários desdenhosas; comparar a situação dela com a de outras pessoas; pedir para olhar pelo lado positivo; perguntar à pessoa o que tem de errado com ela pois ele teve a mesma oportunidade que todos tiveram; pedir para “simplesmente seguir em frente” ou “sair dessa que a vida é boa; dizer que irá se sentir melhor amanhã porque o sol brilha para todos. Isso, só dificultará mais ainda o estado da pessoa. O melhor a fazer é aconselhar a procurar um profissional para ajudar nesse processo”, pontua Gicileide.

A Dra. Caroline alerta ainda os pais para uma estatística crescente no país, “tem aumentado os casos de suicídio de adolescentes. É importante que pais e pessoas próximas estejam atentas aos seguintes sinais: piora no desempenho escolar; auto mutilação; descuido com a aparência e mudança de hábitos; bullyng/cyberbullying; forte interesse pelo tema morte; auto-depreciação e grande perda ou ganho de peso.”

Um problema mundial

A taxa de suicídio, infelizmente, cresce a cada ano, e em todas as faixas etárias. A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), entidade internacional ligada à Organização Mundial da Saúde (OMS), alerta que ocorre um suicídio a cada 40 segundos no mundo. Entre os jovens, é a segunda causa de morte por causas evitáveis ou tratáveis. De 1,3 milhão dos adolescentes que morrem nessas condições, 7,3% são por suicídio.

Dados tão preocupantes que a OPAS/OMS reconheceu, em comunicado, o suicídio e as tentativas como prioridade na agenda global de saúde, incentivando os países a desenvolver e reforçar estratégias de prevenção, quebrando estigmas e tabus existentes sobre o assunto.

No Brasil, os números também preocupam. Conforme já mencionado, o País registra, por dia, 30 suicídios. Cerca de 11 mil pessoas tiram a própria vida a cada ano. O problema afeta, principalmente, idosos e índios. Entre os jovens de 15 e 29 anos, o suicídio é a quarta maior causa de mortes. Os dados foram divulgados no ano passado pelo Ministério da Saúde.

Como procurar ajuda

  •  Se você precisa de ajuda e quer conversar, entre em contato com CVV pelo número 188 ou pelo site www.cvv.org.br. O atendimento funciona 24 horas por dia, todos os dias. Não hesite em buscar atendimento médico e psicológico ou um grupo de apoio.
  •  Hoje, cerca de 3 mil voluntários, em mais de 110 postos, prestam o serviço voluntário e gratuito 24 horas por dia, nos 365 dias do ano, aos que querem e precisam conversar sobre seus sentimentos, dores e descobertas, dificuldades e alegrias. De forma sigilosa e sem julgamentos, o voluntário do CVV busca ouvir aquele que liga com profundo respeito, aceitação, confiança e compreensão, valorizando a vida e, consequentemente, prevenindo o suicídio.
  •  Profissionais de saúde, nas unidades de atendimento nos estados.

Como ajudar

Se você não precisa de ajuda, mas pretende ajudar outras pessoas e impedir novos casos, faça seu cadastro no site www.cvv.org.br, onde também é possível se informar sobre o Posto CVV mais próximo e como se tornar voluntário(a).

 

IMPRENSA/FENAJUD